Passei muito frio. Muito calor também. Comi demais. Fiquei 40 dias sem carboidrato. Engordei muitos quilos, pra depois tentar emagrecer todos eles. Estudei muito para algumas matérias. Me arrependi. Estudei pouco para outras. Me arrependi. Colei demais e me arrependi de novo. Cheguei a conclusão de que nunca estaria satisfeita com as minhas escolhas na faculdade. Reprovei a mesma matéria pela segunda vez. Depois conseguir passar. Comecei a entender o que é pró-atividade. Percebi que quase ninguém sabe o que é. Amadureci. Tive que me organizar. Dormi em cima da bagunça. Me dei conta de que é muito bom morar sozinha. Nem sempre.
Me aproximei de pessoas que se tornaram essenciais. Me afastei de quem nunca deixou de ser. Percebi que é possível viver e se dar bem com pessoas bem diferentes de nós. Me decepcionei por achar que as pessoas são como queremos ou sonhamos. Entendi que sempre vai ser assim. Completei seis anos de namoro. Descobri que o mesmo amor de sempre é o único. Voei cinco vezes. Todas elas na mesma e segura companhia. Não saí da minha zona de conforto. Senti saudade.
Me estressei. Tive TPM todos os meses. Sofri. Me irritei mais do que deveria. Com quem não queria. Senti angústia, dor e muitas vezes medo. Não desisti. Cozinhei. Aprendi a me virar sozinha. Desejei um carro mais do que nunca. Completei duas maratonas. De cinco quilômetros. Completei uma maratoma. Dei muita risada. Fui dormir depois da meia noite todos os dias. Nem sempre acordei antes das dez.
Torci por uma pessoa mais do que pra mim mesma. Não deu. Fiz duas promessas. Uma já cumpri. A outra preciso de um ano inteiro. Agradeci mais do que pedi. Não adoeci. Nem uma gripezinha sequer. Lutei para ver quem amo feliz. Consegui? Li menos livros do que eu queria. Twittei muito mais do que deveria. Vivi como pretendia?
Decidi mudar. Virei diretora. Tive medo da responsabilidade e a ficha ainda não caiu. Emagreci sete quilos. Usei mais de cinquenta cores de esmalte. Cortei doze dedos do cabelo. Fiz muitas contas. Falei muito mais do que escrevi. Fiz uma tatuagem.
Sorri. Chorei. Vibrei. Torci. Me desesperei. Perdi. Ganhei. Acreditei. Publiquei. Implorei. Deixei. Gastei. Economizei. Juntei... Mas acima de tudo: vivi. Uma vida cheia de altos e baixos, alegrias e tristezas, certezas e dúvidas, união e solidão. Mas fiz de 2010 mais uma página completa e colorida de um livro que está só no começo, quem sabe no prefácio...
Que venha 2011!
sexta-feira, 31 de dezembro de 2010
Em 2010 eu...
sábado, 25 de dezembro de 2010
Ao Senhor Noel
Ei, Noel, cheguei meio tarde esse ano. O senhor quase que já entregou todos os presentes e eu aqui.. Começando a escrever uma cartinha. Estava quase achando que não ia ter que me agüentar esse ano, né? Minhas cartas são longas e quase ninguém tem paciência para lê-las.. Achou que estava livre.. Pois bem, vim tarde, mas vim!
E sabe o que é pior? Fui assim com quase tudo o que fiz em 2010. Entreguei tudo no prazo – ou um dia depois, como hoje. Deixei para falar parabéns às 23h59. Procurei pessoas pra me explicar o exercício que não entendi um minuto antes da prova. Fui meio imediatista. Quis tudo na mesma hora em que pedia, mesmo tendo que me esforçar pra não chegar quinze minutos – ah, só quinze minutinhos! - atrasada em todos os compromissos.
Mas como está tudo por aí, Noel? Não vem me dizer que o senhor também está na correria... O que? Teve que demitir duendes e renas por causa do custo alto de mão-de-obra? Ah, esse ano também saiu caro pro senhor? Como assim, Papai Noel.. Aquela menininha do comercial falou que o senhor só está nessa vida ainda porque quer recolher as Notas Fiscais Paulista.. É sério? Não me desaponte, poxa.. Sempre confiei tanto no senhor!
Sinceramente? Não sei bem o que eu quero pedir. Vim escrever essa cartinha como agradecimento mesmo. Também não sei se fui tão boazinha assim para merecer qualquer coisa que fosse pedir. Sabe, Noel, a vida é dura com a gente, não? E de repente... Já tinha feito coisas erradas e não dava mais pra esconder. Me desculpa? Traz o que o senhor quiser! Um chocolate nesses tempos de regime é dureza, mas hoje eu me permito.
Mas, obrigada, Noel. Por entender minha correria. Minha vontade de sair correndo de Campinas e ficar aqui em São Paulo o dia inteiro assistindo todos os filmes que eu tenho em DVD e que já sei as falas de cor não me deixaram pensar em escrever uma cartinha antes para o senhor. Pronto! Se o senhor quiser pode me dar um DVD novo. Ninguém nunca me deu um. Eu compro sempre. E sempre os mesmos tipos de filme. O senhor sabe quais são. Água com açúcar, de mulherzinha, cor-de-rosa, romacinho barato.. Isso, esses mesmo!
Mas, Santa.. Não vou ficar aqui ocupando seu tempo hoje, no dia de Natal. Chega de entregar de presentes. Vai curtir com a Mamãe Noel, coitada. Deve estar estressada com tanto trabalho que o marido tem. Ah! E fica uma dica: se o senhor ainda vai passar pelo Brasil, troca o modelito. Sabe, Noel, chegou a hora de o senhor comprar uma bermudinha vermelha, fazer um rabinho nesse cabelo e vir descansar em uma praia por aqui. Isso mesmo. Descansar. A gente tá precisando!
E como ouvi dizer por aí: “Have yourself a merry little Christmas, may your heart be light".
E sabe o que é pior? Fui assim com quase tudo o que fiz em 2010. Entreguei tudo no prazo – ou um dia depois, como hoje. Deixei para falar parabéns às 23h59. Procurei pessoas pra me explicar o exercício que não entendi um minuto antes da prova. Fui meio imediatista. Quis tudo na mesma hora em que pedia, mesmo tendo que me esforçar pra não chegar quinze minutos – ah, só quinze minutinhos! - atrasada em todos os compromissos.
Mas como está tudo por aí, Noel? Não vem me dizer que o senhor também está na correria... O que? Teve que demitir duendes e renas por causa do custo alto de mão-de-obra? Ah, esse ano também saiu caro pro senhor? Como assim, Papai Noel.. Aquela menininha do comercial falou que o senhor só está nessa vida ainda porque quer recolher as Notas Fiscais Paulista.. É sério? Não me desaponte, poxa.. Sempre confiei tanto no senhor!
Sinceramente? Não sei bem o que eu quero pedir. Vim escrever essa cartinha como agradecimento mesmo. Também não sei se fui tão boazinha assim para merecer qualquer coisa que fosse pedir. Sabe, Noel, a vida é dura com a gente, não? E de repente... Já tinha feito coisas erradas e não dava mais pra esconder. Me desculpa? Traz o que o senhor quiser! Um chocolate nesses tempos de regime é dureza, mas hoje eu me permito.
Mas, obrigada, Noel. Por entender minha correria. Minha vontade de sair correndo de Campinas e ficar aqui em São Paulo o dia inteiro assistindo todos os filmes que eu tenho em DVD e que já sei as falas de cor não me deixaram pensar em escrever uma cartinha antes para o senhor. Pronto! Se o senhor quiser pode me dar um DVD novo. Ninguém nunca me deu um. Eu compro sempre. E sempre os mesmos tipos de filme. O senhor sabe quais são. Água com açúcar, de mulherzinha, cor-de-rosa, romacinho barato.. Isso, esses mesmo!
Mas, Santa.. Não vou ficar aqui ocupando seu tempo hoje, no dia de Natal. Chega de entregar de presentes. Vai curtir com a Mamãe Noel, coitada. Deve estar estressada com tanto trabalho que o marido tem. Ah! E fica uma dica: se o senhor ainda vai passar pelo Brasil, troca o modelito. Sabe, Noel, chegou a hora de o senhor comprar uma bermudinha vermelha, fazer um rabinho nesse cabelo e vir descansar em uma praia por aqui. Isso mesmo. Descansar. A gente tá precisando!
E como ouvi dizer por aí: “Have yourself a merry little Christmas, may your heart be light".
domingo, 21 de novembro de 2010
Você quer viver para quê?
Um pôr-do-sol na praia. Cheiro de terra molhada. Piada interna com as amigas. Dor na barriga da gargalhada. Risoto. Aquele abraço. Barulho de chuva. Ver criança aprender a ler. Entregar o projeto. Ouvir o elogio. Pão saído do forno. Tentar só mais uma vez. Qualquer motivo. Basta um. Você quer viver para quê?
quarta-feira, 17 de novembro de 2010
Não seja vítima da mulher-vítima
por Tati Bernardi
Sua gastrite resolveu atacar de novo e não deu tempo de diminuir no cabeleireiro a juba primata que você carrega acima de seu cérebro, que, hoje, só precisa de descanso, silêncio e alguma bobeira na televisão. Isso deveria ser simples para uma mulher entender. Hoje você não tá afim de dirigir até a casa dela, ouvir sobre como ela odeia tal colega de trabalho e falar coisas que ao mesmo tempo soem dóceis, inteligentes e decididas. Você quer dormir sem tomar banho, jantar salgadinho murcho e dormir torto no sofá babado.
Não significa que você tenha dúvidas a respeito do amor que sente. Não quer dizer que você esteja com uma modelo internacional ou com sua vizinha gordinha, em casa, ambos nus, comemorando essa mentira deslavada que você inventou pra poder pular a cerca. Não é porque você não sente saudades ou desistiu de ser galanteador agora que já ganhou a moça. Você, meu amigo sofredor, tem todo o direito de simplesmente não estar a fim de vez em quando e elas definitivamente não têm o direito de transformar isso em um problema.
Mas a mulher-vítima não trata um homem como um parceiro de vida. Um humano normal com vontades, preguiças, indolências e flatulências. Ela trata o homem como um sádico algoz, pronto para maltratá-la, enganá-la e acabar com sua mísera vida, que é assim desde a época em que seu papai não a elogiava como ela queria. E não importa o que você faça, nunca será o suficiente. Não importa que você equilibre qualidades com defeitos, os defeitos vão sempre sobressair. E então, já que você é esse bosta de ser que só mal lhe faz… por que ela não te larga? Porque ela tem o desejo inconsciente de ser maltratada. Ela idealiza o chicote em suas mãos. Ela precisa sofrer e te escolheu pra essa fantasia. Ela adora pensar que você não presta.
A mulher-vítima não entende que você precisa trabalhar. Ela acha que está sendo renegada, preterida, ignorada, humilhada, abusada, explorada, judiada. Ela não entende que você tem amigos, família e, se bobear, até de seu sono ela vai reclamar: como assim você dorme ao invés de me idolatrar 24 horas por dia?
Por que você fez isso comigo justo no dia tal? Por que você ta me falando isso justo hoje que eu tô num dia tal? Por que você não fez tal coisa justo quando eu mais precisava de tal? Por que você fez isso sabendo que eu tenho trauma de tal coisa? Se todo dia é um péssimo dia para errar e se a sua mulher conjuga cobranças com essas estruturas de frase, você está sendo vítima da mulher-vítima.
No começo, você pode até achar que ela age assim tamanha a segurança: se ele não for perfeito, eu berro; afinal, não me faltam homens querendo saciar todas as minhas vontades. Mas não se engane, trata-se do ser mais inseguro do planeta: ele não me ama e eu não suporto isso; portanto, vou querer provas de seu amor a cada 2 segundos e, como isso é impossível, eu vou me sentir uma completa infeliz e, mais uma vez, vou me provar que nasci para sofrer e, porque sou viciada em ser vítima, essa sensação é a minha cheiradinha ou fumadinha ou picadinha ou pilulazinha diária. Seu “moreco” precisa de um médico, e não de um homem.
Repita comigo: você não tem de salvar uma mulher. Amar não significa virar pai ou médico ou benzedeiro de uma criatura. Você não tem de dizer a coisa certa na hora certa no dia certo com o sol refletindo em seus penetrantes olhos de super-homem. Você não tem de ter lido os livros e visto os filmes e baixado as músicas que ela planejou para não se sentir vítima, mais uma vez, do homem imperfeito. Você não precisa fazê-la gozar loucamente todas as vezes (mas quase todas é bom, isso é verdade). Vamos combinar que ela também não é perfeita (pra começar, ela é bem doida!) e, então, não tá com essa bola toda pra cobrar tanto assim. Vocês vão crescer juntos, com calma e paciência e respeito e equilíbrio, ou ela vai continuar esperando que você venha do céu para resgatá-la do inferno de seu cerebelo inquisidor (este sim o verdadeiro algoz).
Dê o amor que pode do jeito que der e, se ainda assim a vida dela continuar um mar de infortúnios, saiba que seu barquinho não tem nada pra fazer a não ser se arrancar antes de afundar nesse lodo de lágrimas de sangue. Talvez sem nenhum amor ela aprenda a dar valor para o amor possível.
quarta-feira, 10 de novembro de 2010
What is the Church?
Basta ter um propósito, uma missão e um plano, todos eles ligados a Deus. Isso é a igreja. O resto serve apenas de atrativo para que o mundo torne-se cheio de pessoas glorificadas. Assistam. Vale a pena!
domingo, 10 de outubro de 2010
Amor engorda
Isso mesmo. Amor engorda. Amar engorda. No início, paixão emagrece. Um toque do celular, uma mensagem de texto, um e-mail, um olhar. Qualquer coisa é motivo para o coração disparar e isso vale mais do que correr 10 km. Sem contar que o apetite do apaixonado pode ser saciado por coisas que não engordam. Beijos intermináveis, pele com pele, mão esbarrando na mão. O sono diminui, a adrenalina corre como louca, olhos brilhando. Cada suspiro consome 15 calorias.
E de repente, o mal-me-quer, bem-me-quer vira bem-me-quer, bem-me-quer. Os dias passam em câmera lenta se não estão juntos. Não há mais necessidade de dormir, comer, falar. Os dias se ajeitam na espera do encontro. Ou de uma ligação.
Até o dia que a paixão vira amor. Tudo é motivo para celebração. E celebração lembra... Comer! Conquistaram o coração um do outro e não é todo dia que isso acontece. É café na cama, almoço, ceia, viagens de férias banhadas a comidas típicas, bebidas maravilhosas, sobremesas de dar água na boca. Tudo em busca de novidades para o amor. E a novidade já não é o outro, mas tudo o que se faz junto, tudo o que se gosta, tudo o que se ama. E pode haver algo mais adorável, excitante e gratificante do que descobrir que se gosta da mesma comida?
O amor chama o amor de gordinho, gordinha, docinho. Dá chocolates caros de presente. Compra vinhos, queijos, quiches e risotos. E assim o amor engorda.
Todos perguntam o que é o amor. Como sabem que estão amando. Como funciona. Essas respostas eu não sei. Mas que engorda, engorda.
E de repente, o mal-me-quer, bem-me-quer vira bem-me-quer, bem-me-quer. Os dias passam em câmera lenta se não estão juntos. Não há mais necessidade de dormir, comer, falar. Os dias se ajeitam na espera do encontro. Ou de uma ligação.
Até o dia que a paixão vira amor. Tudo é motivo para celebração. E celebração lembra... Comer! Conquistaram o coração um do outro e não é todo dia que isso acontece. É café na cama, almoço, ceia, viagens de férias banhadas a comidas típicas, bebidas maravilhosas, sobremesas de dar água na boca. Tudo em busca de novidades para o amor. E a novidade já não é o outro, mas tudo o que se faz junto, tudo o que se gosta, tudo o que se ama. E pode haver algo mais adorável, excitante e gratificante do que descobrir que se gosta da mesma comida?
O amor chama o amor de gordinho, gordinha, docinho. Dá chocolates caros de presente. Compra vinhos, queijos, quiches e risotos. E assim o amor engorda.
Todos perguntam o que é o amor. Como sabem que estão amando. Como funciona. Essas respostas eu não sei. Mas que engorda, engorda.
sexta-feira, 10 de setembro de 2010
Minha grande amiga TPM
Primeiro dia. Simplesmente abri o olho pela manhã e sabia que ela estaria ali, junto comigo pelo resto da semana. Quase arrisquei um bom dia, mas sua cara era tão feia, que achei melhor não. Ela me diria "Bom dia pra quem? Só se for pra você!", aí achei melhor deixar como estava. Falei pra ela que não precisava ficar no pé, que eu estava cansada, que precisava de férias, que queria um feriadinho no meio da semana e ela quase arranjou briga comigo. Achei melhor não discutir mais uma vez.
Saí de casa e ela estava ao meu lado. Me empurrando. Me dando dor de cabeça. Querendo que eu desse atenção pra ela, mas eu não queria. Sai daqui, me deixa em paz. Vou ficar irritada com você e ela não se abalou. Falou pra mim que iria começar a chorar se eu não desse bola e eu falei que podia chorar, sem problemas. Não vou consolar ninguém.
Tentei por horas não olhar pra cara dela, ignorei o quanto pude, mas quando eu menos esperava.. Ela me pegou pela mão e eu já estava sentido o que ela sentia. O calor que faz nessa cidade começou a me irritar mais do que de costume e eu espraguejei baixinho meu país, falei que eu queria morar em um lugar aonde no verão faz 15 graus e todo mundo está feliz e agasalhado. Dei um passo e tropecei na calçada, quase caí de cara e ela me segurou. Fui atravessar a rua e um carro preto passou colado na minha barriga, tudo porque estava distraída com ela tentando me mostrar suas várias caras. Fui conversar sobre mim com uma quase desconhecida e ouvi coisas que não esperava ouvir. Mas ela estava ali, ao meu lado, segurando minha mão. O que fez meus olhos se encherem de lágrimas na frente de alguém que eu não queria que me visse chorando. Eu não sou fraca. Eu não sou tímida assim. Eu sou forte. Eu falo o que eu quero sempre. Eu sempre me ferro por isso. Mas porque dessa vez não consigo mostrar quem eu sou, de verdade? Porque tive que ouvir julgamentos que não cabem a mim? Ok, eu confesso, eu sou desorganizada. Deixo para a última hora, de verdade. Mas eu vesti a camisa, poxa! Eu pensei em dar muito mais de mim do que eu normalmente daria. Mas aí recebi um balde de água fria.
Tudo culpa dela. Ela me fez ficar assim por uma coisa que nunca me abalaria. Eu só estou chorando por um motivo babaca, porque ela estava do meu lado, segurando minha mão e me passando seus sentimentos que mais parecem uma montanha-russa. Não quero sentir o que você sente, TPM, vai embora, sai daqui. Não ligo se você ficar chateada. E espero que você nunca mais volte mesmo. É, nunca mais. Você me deixa mal, me deixa brava, faz brigar com meus amigos, namorado e família, me faz chorar na frente de pessoas que não deveriam estar escutando meus problemas. Poxa, você pode por um mês, se quer, me dar sossego? Deixar eu seguir minha vida como os outros 21 dias do mês eu segui. Por favor?
Aí ela fica brava. Vermelha de raiva comigo. Fala que nunca mais vai voltar e que me odeia com a voz embargada das lágrimas na garganta. Fecha a porta e eu dou um sorriso. E como o verão que de repente some, mas a gente sabe que um dia vai voltar.. Daqui a pouco ela abre a porta, entra devagarinho, deita comigo na minha cama, pega na minha mão e.. Ah não, TPM, de novo, não!!
Saí de casa e ela estava ao meu lado. Me empurrando. Me dando dor de cabeça. Querendo que eu desse atenção pra ela, mas eu não queria. Sai daqui, me deixa em paz. Vou ficar irritada com você e ela não se abalou. Falou pra mim que iria começar a chorar se eu não desse bola e eu falei que podia chorar, sem problemas. Não vou consolar ninguém.
Tentei por horas não olhar pra cara dela, ignorei o quanto pude, mas quando eu menos esperava.. Ela me pegou pela mão e eu já estava sentido o que ela sentia. O calor que faz nessa cidade começou a me irritar mais do que de costume e eu espraguejei baixinho meu país, falei que eu queria morar em um lugar aonde no verão faz 15 graus e todo mundo está feliz e agasalhado. Dei um passo e tropecei na calçada, quase caí de cara e ela me segurou. Fui atravessar a rua e um carro preto passou colado na minha barriga, tudo porque estava distraída com ela tentando me mostrar suas várias caras. Fui conversar sobre mim com uma quase desconhecida e ouvi coisas que não esperava ouvir. Mas ela estava ali, ao meu lado, segurando minha mão. O que fez meus olhos se encherem de lágrimas na frente de alguém que eu não queria que me visse chorando. Eu não sou fraca. Eu não sou tímida assim. Eu sou forte. Eu falo o que eu quero sempre. Eu sempre me ferro por isso. Mas porque dessa vez não consigo mostrar quem eu sou, de verdade? Porque tive que ouvir julgamentos que não cabem a mim? Ok, eu confesso, eu sou desorganizada. Deixo para a última hora, de verdade. Mas eu vesti a camisa, poxa! Eu pensei em dar muito mais de mim do que eu normalmente daria. Mas aí recebi um balde de água fria.
Tudo culpa dela. Ela me fez ficar assim por uma coisa que nunca me abalaria. Eu só estou chorando por um motivo babaca, porque ela estava do meu lado, segurando minha mão e me passando seus sentimentos que mais parecem uma montanha-russa. Não quero sentir o que você sente, TPM, vai embora, sai daqui. Não ligo se você ficar chateada. E espero que você nunca mais volte mesmo. É, nunca mais. Você me deixa mal, me deixa brava, faz brigar com meus amigos, namorado e família, me faz chorar na frente de pessoas que não deveriam estar escutando meus problemas. Poxa, você pode por um mês, se quer, me dar sossego? Deixar eu seguir minha vida como os outros 21 dias do mês eu segui. Por favor?
Aí ela fica brava. Vermelha de raiva comigo. Fala que nunca mais vai voltar e que me odeia com a voz embargada das lágrimas na garganta. Fecha a porta e eu dou um sorriso. E como o verão que de repente some, mas a gente sabe que um dia vai voltar.. Daqui a pouco ela abre a porta, entra devagarinho, deita comigo na minha cama, pega na minha mão e.. Ah não, TPM, de novo, não!!
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