Vontade de escrever. Apaguei cem linhas achando que não estava bom. E vou tentar de novo. Quando sair volto aqui para dizer que tenho saudade da época em que os parágrafos saíam instantaneamente. Sem pestanejar. Sem medo.
Quero escrever mais cem linhas que me deixem arrepiada. Que me façam ter vontade de ler e reler. Que me façam sentir bem, mesmo sabendo que ninguém ou quase ninguém lê meu blog. Não me importo. A satisfação de ler cem linhas, cem parágrafos ou cem palavras e me sentir como me sinto, quando, finalmente acontece, não tem igual.
quinta-feira, 15 de julho de 2010
sábado, 3 de julho de 2010
O sonho acabou
Como assim? De repente eu olhei pro relógio e faltavam oito minutos e mais dois gols. Percebi que não iria acontecer. Que o sonho estava prestes a acabar.. Como assim, Dunga?
Eu acreditei em você. Quando todo mundo falava mal, dizia isso e aquilo, eu sempre acreditei. Pensava que no dia 11 de julho, quando o Brasil virasse hexacampeão mundial, você seria aquele típico exemplo de teimoso que deu certo, sabe? Eu acreditei em toda aquela sua história de comprometimento. Acreditei que podíamos ganhar, mesmo com um time sem grandes craques e cheio de falhas. Acreditei no Kaká, acreditei no Robinho, Luis Fabiano. E você, Julio César? Acreditei em você também. O melhor goleiro do mundo e agora estamos todos nós, 190 milhões de brasileiros, tristes, desapontados, por um erro seu. Erro que não podia acontecer naquela altura do campeonato.
Não, não quero culpar alguém por isso. Até por que quando se trata de TIME não tem em quem jogar a culpa. Ela pode ser de cada um. Dunga, por não ter um reserva que jogasse como o Kaká, caso ele não estivesse espetacular, como sempre. Ou, talvez, por nunca trocar os jogadores na hora certa. Ou, quem sabe, por acreditar demais em um time que ele sonhou que seria perfeito. Julio César, pelo seu ego e sua vontade de querer agarrar todas, porque não enxergou o Felipe Melo bem na sua frente? Kaká, quem era você no último jogo? Esperei por um gol seu como uma criança espera por um doce e ele não veio! E, você, Felipe Melo? Que vontade é essa de ser protagonista, meu bem? Mas culpa mesmo, não tem como jogar nas mãos de um só.
Triste, sim, estou. Desapontada, desacreditada e não achei que fosse me sentir assim se isso acontecesse. Mas ontem, senti um aperto no coração tão forte quando o jogo acabou, que tive que enxugar as lágrimas dos meus olhos.
Agora é esperar por 2014. Ver o jogo ao vivo, esperar pelo futebol-arte brasileiro acontecer novamente. Ganso, Neymar, Nilmar, Kaká e Robinho.. Nossa seleção pode ser cheia de craques e fazer acontecer. Não vejo a hora de chegar mais uma vez.
segunda-feira, 28 de junho de 2010
Eu. E meus 21 anos.
Sim, eu vou mais uma vez, aqui, polemizar os meus 21 anos. Mas dessa vez não vim dizer que eles chegaram. Infelizmente, vim dizer que eles estão indo embora. Ficaram aqui só de passagem, mas alguns meses e pronto. É, eu sei, não são “alguns” meses, são nove, mais precisamente, e porque eu já estou tão desesperada? Meu Deus, eu sempre ouvi as pessoas dizendo que tinham 22 anos e achava tão bonito. Soava tão bem. E, porque raios, eu acho que agora, da minha boca, começa a soar mal?
De repente eu vi que aquela vizinha que eu vi nascer, tão fofinha, já é um mulherão, mais alta que eu, com o celular na mão, quase uma adulta. O menino que, um dia, eu ensinei matemática já é pai. A copa de 98 parece tão recente na minha cabeça e já fazem 12 anos. Minha irmã faz 18 anos esse ano. Meu namoro já tem 6. Já-estamos-em-junho-de-2010.
Junho. Quase julho. Esses dias eu estava reclamando que as férias de verão estavam no fim e agora eu já clamo pelas férias de inverno! O que vem acontencendo com o tempo? Porque andar tão rápido, reloginho? Calma, mundo, eu quero viver a vida com um pouco mais de tempo! Quero assistir quatro horas de televisão seguidas deitada no sofá. Quero jantar com os meus amigos. Quero ver pessoas que eu não vejo há mais de um ano! Viajar com a minha família. Ficar de bobeira com o meu namorado. Quero minutos, horas e dias.
Carpie Diem. Quem inventou isso deve ter pirado! Tenta viver cada dia como se fosse o último pra ver o que acontece! As notas da faculdade despencam, o dinheiro em pouquíssimo tempo, acaba, os quilos virão aos montes.. Por isso que não entendo quem leva isso como estilo de vida! Tatua na pele, coloca no twitter, proclama aos quatro cantos do mundo e pra quem quiser ouvir, mas quero ver na prática se é isso que faz. Aham.
Agora se o seu carpe diem é acordar, academia, faculdade, empresa, aulas de francês, treino de vôlei, estudar, estudar, estudar. Então, tá. O problema é que o meu carpe diem não é bem isso. Aí fica complicado. O relógio corre e de repente.. Olho no calendário e vejo que o dia 28 de março está mais próximo.
Alguém congela meus 21 anos, please?
De repente eu vi que aquela vizinha que eu vi nascer, tão fofinha, já é um mulherão, mais alta que eu, com o celular na mão, quase uma adulta. O menino que, um dia, eu ensinei matemática já é pai. A copa de 98 parece tão recente na minha cabeça e já fazem 12 anos. Minha irmã faz 18 anos esse ano. Meu namoro já tem 6. Já-estamos-em-junho-de-2010.
Junho. Quase julho. Esses dias eu estava reclamando que as férias de verão estavam no fim e agora eu já clamo pelas férias de inverno! O que vem acontencendo com o tempo? Porque andar tão rápido, reloginho? Calma, mundo, eu quero viver a vida com um pouco mais de tempo! Quero assistir quatro horas de televisão seguidas deitada no sofá. Quero jantar com os meus amigos. Quero ver pessoas que eu não vejo há mais de um ano! Viajar com a minha família. Ficar de bobeira com o meu namorado. Quero minutos, horas e dias.
Carpie Diem. Quem inventou isso deve ter pirado! Tenta viver cada dia como se fosse o último pra ver o que acontece! As notas da faculdade despencam, o dinheiro em pouquíssimo tempo, acaba, os quilos virão aos montes.. Por isso que não entendo quem leva isso como estilo de vida! Tatua na pele, coloca no twitter, proclama aos quatro cantos do mundo e pra quem quiser ouvir, mas quero ver na prática se é isso que faz. Aham.
Agora se o seu carpe diem é acordar, academia, faculdade, empresa, aulas de francês, treino de vôlei, estudar, estudar, estudar. Então, tá. O problema é que o meu carpe diem não é bem isso. Aí fica complicado. O relógio corre e de repente.. Olho no calendário e vejo que o dia 28 de março está mais próximo.
Alguém congela meus 21 anos, please?
quinta-feira, 6 de maio de 2010
Minha mãe
Mãe. Quem quer ser uma tem que arranjar tempo na agenda. Não por uma hora, nem por um dia. Por uma vida inteira. Mães não têm preguiça, não têm sono, não têm fome. Não sabem quando é a hora de parar. Largam tudo e todos por uma pessoinha chorona e fazem tudo o que elas querem. Mãe é mãe. Mãe não é pai.
Não dê a desculpa que o mundo está muito ruim. Que o tempo não ajuda. Que seu trabalho é precioso. Todos devíamos ser mães. Os pais também. Quem não quer experimentar a sensação de amar alguém incessantemente? Por todo o tempo, por toda a vida. E, de verdade, não esperar nada em troca. Muitas vezes não ter nada em troca. E não se magoar por isso. Pelo contrário, continuar doando seu amor, seus gestos, seu tempo.
Ela tinha 32 anos quando eu nasci. Experiência fosse a que ela tivesse passado, nenhuma foi como me ver crescendo e tomando os caminhos que ela sempre sonhou. Pra mim sempre foi assim. Eu aqui e ela ali. Não tinha dúvidas, não tinha medos, não tinha insegurança. Eu sabia que quando eu estivesse com dor de cabeça ela iria olhar pra mim e saber o que eu estava sentindo e o que tinha que fazer para melhorar.
Vinte e um anos se passaram e tudo continua igual. Agora eu cuido um pouco dela também. Por enquanto é o pouco que posso fazer para retribuir tantas noites mal dormidas, tantas lágrimas derramadas, tanta preocupação, tantos quilômetros dirigidos.
Digam o que quiser, mas a melhor mãe do mundo é a minha. Desculpa se você acha que a sua é muito melhor, mas é que você não conhece a Elena. Você nunca abraçou ela. Nunca dormiu com a massagem dela. Nunca ouviu os gritos dela pela casa. Nunca brigou com ela a ponto de se descabelar. Nunca viu o quanto ela é teimosa. Nem sabe o quanto o coração dela é grande. Não sabe que ela é mãe de mais de dez pessoas e, se pudesse, tenho certeza que seria de cem. E o essencial... Você não a ama como eu amo.
Não importa se dizem que todas as mães do mundo amam o filho mais novo muito mais e eu sou a primogênita. Pra mim não importa o que dizem. O que importa é saber que toda sexta-feira eu vou chegar em casa, ela vai abrir a porta e dizer: "Finalmente, filha, estava morrendo de saudade."
Te amo, mamãe. Incondicionalmente e eternamente. Feliz dia das mães!
Não dê a desculpa que o mundo está muito ruim. Que o tempo não ajuda. Que seu trabalho é precioso. Todos devíamos ser mães. Os pais também. Quem não quer experimentar a sensação de amar alguém incessantemente? Por todo o tempo, por toda a vida. E, de verdade, não esperar nada em troca. Muitas vezes não ter nada em troca. E não se magoar por isso. Pelo contrário, continuar doando seu amor, seus gestos, seu tempo.
Ela tinha 32 anos quando eu nasci. Experiência fosse a que ela tivesse passado, nenhuma foi como me ver crescendo e tomando os caminhos que ela sempre sonhou. Pra mim sempre foi assim. Eu aqui e ela ali. Não tinha dúvidas, não tinha medos, não tinha insegurança. Eu sabia que quando eu estivesse com dor de cabeça ela iria olhar pra mim e saber o que eu estava sentindo e o que tinha que fazer para melhorar.
Vinte e um anos se passaram e tudo continua igual. Agora eu cuido um pouco dela também. Por enquanto é o pouco que posso fazer para retribuir tantas noites mal dormidas, tantas lágrimas derramadas, tanta preocupação, tantos quilômetros dirigidos.
Digam o que quiser, mas a melhor mãe do mundo é a minha. Desculpa se você acha que a sua é muito melhor, mas é que você não conhece a Elena. Você nunca abraçou ela. Nunca dormiu com a massagem dela. Nunca ouviu os gritos dela pela casa. Nunca brigou com ela a ponto de se descabelar. Nunca viu o quanto ela é teimosa. Nem sabe o quanto o coração dela é grande. Não sabe que ela é mãe de mais de dez pessoas e, se pudesse, tenho certeza que seria de cem. E o essencial... Você não a ama como eu amo.
Não importa se dizem que todas as mães do mundo amam o filho mais novo muito mais e eu sou a primogênita. Pra mim não importa o que dizem. O que importa é saber que toda sexta-feira eu vou chegar em casa, ela vai abrir a porta e dizer: "Finalmente, filha, estava morrendo de saudade."
Te amo, mamãe. Incondicionalmente e eternamente. Feliz dia das mães!
sábado, 17 de abril de 2010
Sort dans l'amour
Disent-ils que celui qui a du sort dans les jeux n’en a pas dans l’amour. Je ne comprends pas pourquoi, mais dernièrement j'ai compris ce qui est vrai. Les jeux por moi sont compliqués. Et c’est comique, j'en perds toujours. Déjà dans l'amour... Je gagne tant! Amour chez moi. Amour chez les ami. Chez mon petit-ami. Beaucoup d'amour. J’espère qu'il soit toujours ainsi! Perdre pour gagner!
"Le sort fait les parents, le choix fait les amis" (Delille)
*Agora com as devidas correções da minha professora e com a tradução:
Sorte no amor
Dizem por aí que quem tem sorte nos jogos, não tem sorte no amor. Eu não entendia porque, mas ultimamente tenho percebido que é verdade. Os jogos para mim são complicados. É até engraçado, mas eu vivo perdendo. Já no amor.. Tenho ganhado tanto! Amor da minha família. Amor dos amigos. Do namorado. Muito amor. E espero que seja sempre assim! Perder para ganhar!
"A sorte faz os pais, a escolha faz os amigos" (Delille)
"Le sort fait les parents, le choix fait les amis" (Delille)
*Agora com as devidas correções da minha professora e com a tradução:
Sorte no amor
Dizem por aí que quem tem sorte nos jogos, não tem sorte no amor. Eu não entendia porque, mas ultimamente tenho percebido que é verdade. Os jogos para mim são complicados. É até engraçado, mas eu vivo perdendo. Já no amor.. Tenho ganhado tanto! Amor da minha família. Amor dos amigos. Do namorado. Muito amor. E espero que seja sempre assim! Perder para ganhar!
"A sorte faz os pais, a escolha faz os amigos" (Delille)
quarta-feira, 31 de março de 2010
E lá se foram os vinte...
Quando eu penso vinte. Eu penso, pô, só vinte, sabe? Sou tão nova. Tenho pelo menos uns sessentinha pela frente. E se a medicina continuar nesse ritmo frenético, posso chutar uns oitenta, noventa. Mas aí eu lembro que são vinte e um. Vinte. E. Um, entende? Não sou mais adolescente. Não posso mais dar a desculpa que foi tudo culpa da minha mãe. Ou que ela não deixou. Não posso mais falar que eu sou muito nova. Pode ser exagero meu, mas estou chegando perto dos trinta. Passar dos vinte é estranho. Não quero ser adulta. Mas eu quero casar. Não quero procurar emprego. Mas eu quero meu dinheiro. Não quero falar que eu já tenho vinte e um. Mas quero poder ir pra Las Vegas logo.
Sabe a síndrome de Peter Pan? Então. Alguém me leva para a Terra do Nunca. Constrói uma Unicamp, Perdizes, Barão Geraldo, Casa da mamãe, Casa da Laís, cinema com meu lindo, Campinas Hall, Shopping Iguatemi, Yogoberry e me deixa um pouco lá vai. Espera eu passar em cálculo II, física III, química orgânica. Espera eu me formar, arranjar um emprego e quando eu estiver quase casando me traz de volta pra realidade. Aí sim eu vou poder dizer que estou feliz com meus vinte e um anos, formada, empregada e casada. Com tempo de sobra pra viver o casamento. Ir pra balada com meu filho. Trocar de emprego mil vezes e, quem sabe perceber que eu não gosto de engenharia. Quem sabe ganhar a vida escrevendo alguma coisa que me faça bem em alguma revista que eu ache bacana. Ou talvez cuidando da minha própria academia e podendo malhar o dia inteiro. Ou quem sabe encontrando tempo pra dormir e acordar com a neve caindo lá fora. Passear pela 5th Avenue como quem anda pela Avenida Sumaré. Ou talvez dirigindo uma Escalade em Miami como quem dirige uma Zafira em São Paulo.
E talvez seja essa minha busca por mais tempo para decidir minhas dúvidas que me põe maluca. Porque eu simplesmente não poderia ser daquelas pessoas que, com dez anos de idade, já sabem que querem ser médicos e assim vão ficando, até sair do colégio, fazer mil anos de cursinho e, enfim, cursar a Pinheiros e ser feliz pra sempre? Porque eu, que desde a sexta série, já passei por modelo, publicitária, médica, jornalista, administradora, porque fui acabar bem na ENGENHARIA? Porque? Só pra fazer com que meus vinte e um anos pareçam trinta e ficar achando todos os dias que sou velha e não terei mais tempo de terminar essa faculdade? Porque?
Meus amigos dizem pra eu parar com essa bobagem. Minha mãe diz que nada na vida tem idade. Meu namorado acha simplesmente que eu tenho algum problema. Meu pai acha que os dois anos de cursinho me deixaram meio atormentada. Minha irmã dá risada. Mas e eu? E eu? Eu não sei. Não sei o que eu quero da vida. Não sei se é engenharia, jornalismo, publicidade ou simplesmente ganhar na Mega Sena e ir curtir esse mundão com tempo de sobra. Se for mesmo verdade que “as pessoas mais interessantes que eu conheço não sabiam o que queriam da vida aos vinte anos”, fico feliz. Ter vinte e um e ainda não ter se encontrado também pode ser?
Sabe a síndrome de Peter Pan? Então. Alguém me leva para a Terra do Nunca. Constrói uma Unicamp, Perdizes, Barão Geraldo, Casa da mamãe, Casa da Laís, cinema com meu lindo, Campinas Hall, Shopping Iguatemi, Yogoberry e me deixa um pouco lá vai. Espera eu passar em cálculo II, física III, química orgânica. Espera eu me formar, arranjar um emprego e quando eu estiver quase casando me traz de volta pra realidade. Aí sim eu vou poder dizer que estou feliz com meus vinte e um anos, formada, empregada e casada. Com tempo de sobra pra viver o casamento. Ir pra balada com meu filho. Trocar de emprego mil vezes e, quem sabe perceber que eu não gosto de engenharia. Quem sabe ganhar a vida escrevendo alguma coisa que me faça bem em alguma revista que eu ache bacana. Ou talvez cuidando da minha própria academia e podendo malhar o dia inteiro. Ou quem sabe encontrando tempo pra dormir e acordar com a neve caindo lá fora. Passear pela 5th Avenue como quem anda pela Avenida Sumaré. Ou talvez dirigindo uma Escalade em Miami como quem dirige uma Zafira em São Paulo.
E talvez seja essa minha busca por mais tempo para decidir minhas dúvidas que me põe maluca. Porque eu simplesmente não poderia ser daquelas pessoas que, com dez anos de idade, já sabem que querem ser médicos e assim vão ficando, até sair do colégio, fazer mil anos de cursinho e, enfim, cursar a Pinheiros e ser feliz pra sempre? Porque eu, que desde a sexta série, já passei por modelo, publicitária, médica, jornalista, administradora, porque fui acabar bem na ENGENHARIA? Porque? Só pra fazer com que meus vinte e um anos pareçam trinta e ficar achando todos os dias que sou velha e não terei mais tempo de terminar essa faculdade? Porque?
Meus amigos dizem pra eu parar com essa bobagem. Minha mãe diz que nada na vida tem idade. Meu namorado acha simplesmente que eu tenho algum problema. Meu pai acha que os dois anos de cursinho me deixaram meio atormentada. Minha irmã dá risada. Mas e eu? E eu? Eu não sei. Não sei o que eu quero da vida. Não sei se é engenharia, jornalismo, publicidade ou simplesmente ganhar na Mega Sena e ir curtir esse mundão com tempo de sobra. Se for mesmo verdade que “as pessoas mais interessantes que eu conheço não sabiam o que queriam da vida aos vinte anos”, fico feliz. Ter vinte e um e ainda não ter se encontrado também pode ser?
segunda-feira, 22 de março de 2010
Os poderes de Greyskull
Por Bruna Demaison
Você pode acordar para ir trabalhar ou faltar e ver todas as estréias da semana. Pode vestir um terno ou decidir que hoje vai casual, mesmo que não seja friday. Pode almoçar no restaurante ali da esquina ou andar mais um pouco e arriscar um novo, ir regularmente à academia ou caminhar no parque ouvindo música. Pode dormir com a TV ligada ou ligar para alguém com quem não fala há tempos, arriscar outro caminho ou seguir naquele já conhecido, pode fazer Administração, Direito, Economia ou passar um ano a quilômetros da faculdade só para estudar línguas, arte e viajar por aí.
Você pode se formar e imediatamente começar uma pós-graduação ou confessar abertamente que não tem a mínima idéia do que quer ser quando crescer. Pode nunca sair de casa sem camadas e camadas de protetor solar ou torrar no sol e usar biquíni branco no inverno, pode ficar com todos os caras que te olham ou não estar nunca satisfeita com ninguém. Pode reclamar do que te incomoda ou esperar para ver se passa, guardar dinheiro para ter um carro zero ou andar de ônibus e ter mais sapatos que Imelda Marcos. Pode tocar vários instrumentos ou entender sobre musica tanto quanto o I-Tunes permite, insistir para ver se volta ou acreditar que acabou.
Pode saber de cor quantas calorias tem em cada alimento ou fechar a boca sempre que a calca jeans apertar, ler todos os clássicos ou os quadrinhos do jornal, sair todas as noites ou dormir oito horas por dia. Pode falar com seus amigos toda hora ou curtir os status nas redes sociais, viver num apartamento onde, se entrar correndo, cai pela janela ou se lembrar de avisar aos pais quando não dormir em casa. Pode anular seu voto ou se esforçar para entender os projetos de cada candidato, conversar para chegar a um acordo ou desistir porque não vale a pena.
Você não pode não se lembrar do que queria quando criança, não pode não saber se quem importa está bem, não pode não conhecer o lugar com o qual sempre sonhou ou não dar uma chance se existir uma mínima possibilidade. Não pode não saber quais musicas e filmes te fazem chorar e quais te fazem sorrir, não pode não descobrir por que está se sentindo mal há tanto tempo nem não ter algo só seu. Não pode não ter alguém com quem contar nem um motivo para continuar.
Você não pode um dia acordar e ver que não se lembra como tudo ficou assim. Pelo menos não deve.
*É disso que eu to falando!
Você pode acordar para ir trabalhar ou faltar e ver todas as estréias da semana. Pode vestir um terno ou decidir que hoje vai casual, mesmo que não seja friday. Pode almoçar no restaurante ali da esquina ou andar mais um pouco e arriscar um novo, ir regularmente à academia ou caminhar no parque ouvindo música. Pode dormir com a TV ligada ou ligar para alguém com quem não fala há tempos, arriscar outro caminho ou seguir naquele já conhecido, pode fazer Administração, Direito, Economia ou passar um ano a quilômetros da faculdade só para estudar línguas, arte e viajar por aí.
Você pode se formar e imediatamente começar uma pós-graduação ou confessar abertamente que não tem a mínima idéia do que quer ser quando crescer. Pode nunca sair de casa sem camadas e camadas de protetor solar ou torrar no sol e usar biquíni branco no inverno, pode ficar com todos os caras que te olham ou não estar nunca satisfeita com ninguém. Pode reclamar do que te incomoda ou esperar para ver se passa, guardar dinheiro para ter um carro zero ou andar de ônibus e ter mais sapatos que Imelda Marcos. Pode tocar vários instrumentos ou entender sobre musica tanto quanto o I-Tunes permite, insistir para ver se volta ou acreditar que acabou.
Pode saber de cor quantas calorias tem em cada alimento ou fechar a boca sempre que a calca jeans apertar, ler todos os clássicos ou os quadrinhos do jornal, sair todas as noites ou dormir oito horas por dia. Pode falar com seus amigos toda hora ou curtir os status nas redes sociais, viver num apartamento onde, se entrar correndo, cai pela janela ou se lembrar de avisar aos pais quando não dormir em casa. Pode anular seu voto ou se esforçar para entender os projetos de cada candidato, conversar para chegar a um acordo ou desistir porque não vale a pena.
Você não pode não se lembrar do que queria quando criança, não pode não saber se quem importa está bem, não pode não conhecer o lugar com o qual sempre sonhou ou não dar uma chance se existir uma mínima possibilidade. Não pode não saber quais musicas e filmes te fazem chorar e quais te fazem sorrir, não pode não descobrir por que está se sentindo mal há tanto tempo nem não ter algo só seu. Não pode não ter alguém com quem contar nem um motivo para continuar.
Você não pode um dia acordar e ver que não se lembra como tudo ficou assim. Pelo menos não deve.
*É disso que eu to falando!
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