segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Ano Novo

Do dia 31 de dezembro pro dia 1 de janeiro não acontece nada de diferente. A mesma sucessão de 24 horas em que nada mudará, a não ser pelo jantar diferente, a união de amigos e família, tudo segue do mesmo jeito. Sei bem disso, mas aonde está a alegria? Sábio era o poeta que disse que quem teve a ideia de cortar o tempo em fatias era genial! Sim, genial. E eu apoio. Compro o pacote inteiro de Ano Novo, faço balanço de vida, promessas para o ano seguinte e sempre espero, com esperança, que o próximo ano seja melhor do que o anterior.
Hoje, olhando a minha lista de projetos de 2012, percebi que não fiz boa parte de tudo aquilo que desejei. Não emagreci 10 kg (acho que até cheguei a engordar 10 kg!!), não li 20 livros, não fui menos sentimental e por aí vai. Então decidi que esse ano eu não farei uma lista de projetos, só quero deixar algumas sugestões.
2013, quero que você mude algumas coisas em mim, mas não me deixe mais mal humorada do que já sou. Quero menos da maioria das coisas. Quero mais de algumas coisas. Menos preocupações, menos dor de cabeça, menos kgs, menos provas, menos culpa, menos racionalismo, menos pessoas que fazem mal. E mais? Mais amor, mais saúde, mais horas no dia, mais sol, mais frio, mais tempo pra ficar sem fazer nada, mais trabalho, mais dinheiro. Será que dá?
Sei que você tem ótimos planos para mim. Tenho sido uma boa garota. E a expectativa do que me espera é o que vale pena acreditar nessa virada de um dia para o outro. É o que a faz ser tão especial. Vou conhecer lugares novos? Que pessoas entrarão na minha vida que eu já cruzo e nem sequer identifico? Quantas boas notícias ouvirei? Quantos shows, quantos filmes irei assistir? Por quantos lugares andarei? Estarei rodeada das mesmas e tão maravilhosas pessoas?
Tentarei estar preparada para ouvir as críticas de pessoas que antes nem falavam, voltar atrás nas minhas teimosias, engolir a minha frustração por coisas que saíram do planejado. Estarei disposta a tirar de letra aquelas pessoas que eu ainda não consigo engolir e assumir todas as responsabilidades por erros que cometer. Quero uma surpresa também. Boa de preferência. Se tiver dor que eu tenha sabedoria para enfrentar e não me deixe ser sentimental demais com acontecimentos que não merecem minhas lágrimas.
2013, faça o que for do seu alcance. Minha parte é receber tudo o que você puder me dar da melhor maneira. Com os braços bem abertos.
E, você, 2012.. Obrigada. Pelas pessoas que colocou, pelas que tirou, pelas que permaneceram. Por manter o mesmo amor de sempre, pela minha família, pela minha saúde e de todos aqueles que eu amo. Pelas realizações, acontecimentos, mudanças e por ser melhor que 2011. Que assim continue.

quarta-feira, 17 de outubro de 2012


Meu armário     

E às vezes, bem às vezes, ultimamente, me bate essa crise que não posso nem dizer que é da meia-idade. Me bate essa crise e, mesmo depois de tantos anos de experiência, 23 mais precisamente, eu ainda não sei o que fazer. Me vem essa necessidade de querer me encontrar no mundo e acreditar, com toda fé, que eu ainda não estou no lugar certo.

Já se passaram 6 anos que eu saí da escola, 4 anos de faculdade, quase 9 de namoro, muitas amizades que foram e voltaram, que foram e ficaram. E eu aqui nessa mesma ladainha de sempre. Tentando me encontrar de um jeito que vai ser difícil não me perder. Tentando me entender de um jeito que nem o ser mais inteligente do mundo consegue acompanhar. Tentando me encaixar de uma forma que nem a melhor ginasta do Cirque du Soleil conseguiria.

 Não sei por que essa necessidade de me encontrar no mundo se nem sequer no meu armário consigo me encontrar. Não consigo saber aonde estão minhas meias e quero saber aonde estarei daqui cinco anos? Não consigo encontrar meu tênis, mas faço planos de casamento. Não consigo manter meu armário arrumado, mas quero manter amizades. Como assim? Acorda, menina, se você não consegue nem organizar seu armário, porque mesmo acha que, hoje, assim, de repente, vai conseguir organizar sua vida?

domingo, 29 de abril de 2012

Será?


É pior do que morrer porque ao morrer - considerando que até agora ninguém voltou para desmentir - acabou. Coisa ruim mesmo é continuar preenchendo todos os dias cheios de horas, cheias de minutos, cheios de segundos. Você preenche o dia e vem a noite, as noites mais compridas da sua vida. Noites que emendarão em dias em que você tem que se levantar mesmo tão cansada, decidir se pior é engolir comida em um esforço semelhante a ruminar papelão ou manter-se um pouco mais sem nada, e encarar pessoas. Poucas pessoas ainda a distraem e se ninguém comenta sobre o nariz vermelho ou olhos marejados é porque nem notaram a escapada discreta ao banheiro, pausa momentânea para chorar. Qualquer porta que se fecha dispara o gatilho de lágrimas, acontece tão habitualmente que nem devem ser classificadas como choro – são só seus olhos que escorrem. Tudo vai sendo porque deixa ser, deve ser, mar antes da arrebentação, aquela água que vem e vai, vai, vem. Você nem transborda.
Fúria, um grito, socos, aos berros, louças quebradas, roupas rasgadas, nada. O único rompante de euforia vem do álcool porque você está ali, vestida, acordada, as pessoas ao redor riem e pulam, festejam, há música, luzes mas não essa fumaça, como se dissipa? Se tudo parece meio distante é porque aquilo não é um sonho, é real, estão todos ali, mesmo parecendo impossível tocá-los, as vozes estão aqui, você é quem não está. Você não pertence. É sonambulismo. E daquelas garrafas sai a cura que aproxima as pessoas e afasta as memórias então é mais um copo, outra dose, cuidado, não pára pra isso não acabar, e você está se misturando, olha quanta alegria e de repente uma coisa, qualquer coisa, estala. O encanto se rompe. Não vai, se esforça, disfarça! A raiva que cresce do fundo do fígado chega à goela na forma de dor, e aí sim você chora. Chora. Se contorce. Se assusta e apavora porque escancara, se afasta, vai se trancar. E a culpa te espreme na cama, não abre essa cortina que todo esse sol vai apontar um dedo indicando que esse mundo lá fora não foi feito para você. Você não o merece. Ele não te entende. Quase ninguém entende, só te defende quem repete que vai passar e é claro que mente. Passa. Dia a dia você se entende porque quer viver, viver é muito melhor do que morrer. Eu sei. 

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Ódio de odiar

Todos temos. Eu, você, sua mãe, quem crê e quem não crê. Não importa. Se você é intitulado ser humano você tem. E muito. Ódio. É claro que eu não sou ódio o tempo todo, não me baseio nisso, mas odeio, e muito.
           
Odeio que encostem em mim, odeio a pele de um desconhecido indesejado que me empurra na balada e me faz odiar cada segundo que estou ali no meio daquela pista de dança. Odeio que derramem bebida em mim. Odeio derrubar e fazer com que as pessoas me odeiem. Odeio homens de regata e corrente. Odeio meninas que malham de cabelo solto e empinam a bunda como se dissessem: “eu sei que sou gostosa”. Odeio quem se acha gostosa. Odeio homens que olham para mulheres como se elas fossem um pedaço de carne pendurado no açougue.

Banho fervendo no calor de Campinas, bater o pé na quina, pessoas que estão sempre sorrindo, pernas inquietas, cigarro, suco de laranja com açúcar, mau atendimento e pessoas que não sabem comer em silêncio.


Odeio pessoas que não usam desodorante, que não arrumam o cabelo e que não sabem a hora que devem parar de comer. Odeio filmes ótimos na televisão quando tenho que estudar assim como odeio ter que estudar. Em todas as ocasiões possíveis. Odeio chuva se tenho que sair. Odeio sol se tenho que ficar em casa. Odeio mau hálito e machismo e mulheres que se submetem a isso. Odeio ser mulher e sempre ter que chorar por tudo. E o que é pior, precisar de um homem para abraçar e só assim se sentir segura de verdade.


Odeio telemarketing, gerúndio e que me chamem de senhora. Odeio celulares que tocam, sei que todos no mundo tocam e só o meu vibra, mas eu continuo odiando mesmo assim. Odeio quem faz tatuagem sem sentido. Odeio quem não sabe o mínimo de português.


Odeio pessoas oleosas, peludas, suadas. Odeio suor. Odeio pele. Odeio meninas que são perfeitinhas demais e estão sempre cheirosas, depiladas, sequinhas. Odeio quem não sua na academia.


Odeio joia com cara de barata, odeio vestido de festa bordado. Odeio vestido de festa com cara de vestido de festa. Odeio saber a marca de todas as roupas que todas as pessoas usam. Me desgasta. Odeio saber todas as tendências e ser viciada em blogs de moda. Odeio ser julgada por gostar de moda. Odeio e simplesmente odeio azul marinho com preto e combinações monocromáticas e color blocking. Odeio não saber viver sem meu Blackberry e meu Iphone e ainda por cima não conseguir passar um dia sem entrar no Facebook. Odeio saber que só conseguirei me livrar disso se passar por um rehab, de verdade. Odeio quem diz pra eu sair do celular.


Odeio pessoas que comemoram que passaram numa faculdade que até meu cachorro passaria e quem diz “chupa alguma coisa”. Odeio caras que se vangloriam por ter “pego uma mina”. Coitada dela. Odeio a vontade de cantar quando escuto qualquer música que eu saiba a letra, em qualquer lugar. Odeio ter chorado na metade dos filmes que já assisti na vida. Odeio chorar. Odeio amar assistir Big Brother e passar o ano esperando aqueles imbecis sem nada na cabeça me alegraram por uma hora por dia.


Odeio arroto. Odeio com muita força, mas muita mesmo, pessoas que arrotam a qualquer momento na frente de todo mundo sem se importar. Odeio mulher que não se respeita. Odeio dúvidas e gente indecisa.


Odeio gordurinha e a desculpa de que tenho ossos largos. Odeio gente gorda que se acha magra e come abacaxi depois da feijoada para ajudar na digestão. Haja abacaxi. Odeio gente magra que se acha ou finge que se acha gorda. Odeio famílias perfeitas. Família boa é família com problema.


Odeio cumprimentar as pessoas que não conheço com beijo no rosto. Prefiro dar meu tchauzinho de longe. Odeio ser tão chata e tão sentimental e tão boba. Odeio odiar tantas coisas que nem cabem nesse papel. Odeio tudo na vida ter prazo, horário e data pra terminar. Odeio não ter tempo. Odeio não poder passar todas as horas com as pessoas que me fazem bem de verdade. Odeio odiar tudo que odeio. Odeio não conseguir terminar um texto sem chave de ouro. Como este. Odeio.

terça-feira, 17 de maio de 2011

Uma festa no céu

Hoje o dia amanheceu cinzento. E eu sei o motivo. Todas as luzes estão voltadas para cima e não para baixo. Estão voltadas para o céu e não para a Terra. Tudo porque a senhora, ou melhor, você - já que não gostava que a chamasse de senhora e muito menos de dona - chegou. É dia de festa no céu hoje, por isso o dia está tão escuro aqui embaixo.

Meu corpo inteiro dói e vai ser difícil tirar essa dor e esse peso do meu coração por perdê-la. Foram sete anos de convivência e me arrependo por não ter te conhecido antes. Perdi pelo menos 15 anos de abraços carinhosos, olhares sinceros, lembranças mais do que memoráveis.
Você foi uma guerreira. Corajosa. Em pouco tempo pude acompanhar toda essa sua travessia por dificuldades, as quais você sempre lutava com um sorriso no rosto. Câncer, uma mãe doente, marido internado, queda de cabelo, inúmeras sessões de quimioterapia e você estava lá, firme e forte. Resistindo bravamente.

Você resistiu bravamente.

Consigo entender isso. Você tinha um motivo óbvio para ficar aqui, neste plano: a família maravilhosa, que você ajudou a construir. Seus netos que te amam como nunca amaram ninguém e eu me incluo nessa. Afinal, você sempre me dizia que eu era sua neta, lembra? Com o seu jeitinho engraçado e sempre simpático, foi formando as estruturas do seu clã. E, cativante que é, conseguiu. E mereceu, como poucos. Você nos deu muitas alegrias e memórias que não vão se perder. Isso eu te garanto. Não vou deixar.

Vou sentir saudades da sua risada, das suas tiradas venenosas, dos seus comentários impróprios. Do seu carinho. De atender seus telefonemas. Dos seus esquecimentos. De ouvir a mesma história pela terceira vez. E dos almoços nos domingos. E das festas de fim de ano... Enfim, de toda você.

Continue sempre assim, onde quer que esteja.

Te amo, vovó.
Fique com Deus. 

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Eu e eu mesma

Quando me dei conta dei de cara com ela. Aquela voz rouca e sem graça que não existe do lado de fora saíram de dentro para me fazer companhia. E quanto tempo que não tinha essa companhia? Sempre quis estar com outra. Comer, correr, malhar, estudar, dormir, nunca quis fazer nada disso sozinha, mas hoje quando ela se encontrou comigo, me mostrando que eu devo relevar, esquecer, não se preocupar, ela foi uma boa companhia. Ela é tão agradável que é como aquela amiga nova e simples, que a gente tem vontade de viajar, que não se preocupa de falar a besteira que for no meio da noite, que não tem vergonha, que faz xixi de porta aberta e não esta nem ai.

Eu já fui uma dessas meninas que estão sempre sorridentes, distribuindo beijos, abraços e simpatia por ai. Mas o tempo foi me cansando, essa menina ficou escondida bem lá no fundo e hoje depois de ver olhos revirando para mim duas vezes, ela resolveu voltar. Quem sabe eu tenha cansado de me preocupar, de ouvir conversas baixas, de não querer ouvir, de voltar a ser uma pessoa bacana e com menos inimizades. Não que eu não seja feliz assim. Sou. Mas ela me mostrou que eu devo ser mais leve. Voltar a me preocupar menos com os outros e mais comigo mesma.

Quando a vejo cumprimentando os outros fico nessa certeza, até um pouco doída, de que não existe nenhuma outra mais verdadeira. Que aquela sou eu e sempre fui. Sinto saudade e medo. E que todo o resto, todo o enorme resto, é só para guardá-la intacta em algum lugar onde as janelas são anti tudo.
Mas como sempre, eu vejo que esqueci a janela aberta e ela escapa. Dias assim são exceção, sabe? Quando ela vem e me mostra que eu devo ser de novo como ela. Dias de reflexão. Dias em que eu paro e penso e começo a achar que minha vida é vazia. Que minhas amizades não tem futuro e que a única pessoa que me entende ainda não mora comigo e não esta 24 horas ao meu lado. Quando a casca se rompe e racha e mostra a insegurança que tem por dentro, ela sai. E é lindo. Porque a maldade do mundo inteiro entende que não se brinca com as exceções da vida. E nada de mais acontece.

domingo, 20 de março de 2011

Quase sem querer


Simplesmente adoravel. De ouvir, ver e sentir. Voz impecavelmente perfeita.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Endless love


Vai chegar um dia na sua vida em que você não vai precisar mais de explicações. Não vai precisar mais procurar. Não vai precisar ter medo. Pensar que ele não vai te entender. Acreditar que você está sozinha. Que ninguém pode te entender. Vai chegar um dia em que todos vão te perguntar como você conseguiu. E vão dizer que você é muito nova ainda. Que precisa curtir a vida. Que sete anos é muito tempo pra quem tem 21 anos. Vai chegar esse dia e se você estiver com ele, você vai me entender.

Ele é perfeito. Ele é aquele tipo que chega a dar raiva. Ele faz o que você espera quando você menos espera. Ele te abraça quando você está armando a maior briga. Ele sempre surpreende. Ele faz caipirinhas, cozinha e arruma a casa. Ele sabe exatamente como te agradar. Ele não é como os de hoje. Ele paga as contas, abre as portas e te segura pela mão. Ele sabe quem são as pessoas e os lugares que você não quer nem passar por perto. Ele entende você melhor do que qualquer um. Ele sabe. Ele é. Ele faz. Ele.

Ele não é perfeito. Ele é aquele tipo que chega a dar raiva. Ele te entende, mas finge que não, só para ver você esbravejar. Ele se irrita com todas as suas manias. E diz que é para o seu bem. Ele odeia que você dirija o carro dele. Ele não aguenta chegar na sua casa e ver a bagunça que você faz. Ele diz que quando vocês casarem, você terá que se virar com isso. Ele diz que não quer casar, só pra te ver irritada. Ele não desiste de te ligar, mesmo sabendo que você não quer conversa. Ele é assim. Ele.

Ele odeia o seu celular. Ele sempre escolhe os melhores restaurantes. Ele acorda depois do meio dia e dorme depois da meia noite. Ele te leva em qualquer lugar, sem reclamações. Ele odeia críticas. Ele faz as melhores surpresas. Ele não manda flores. Ele te dá os melhores presentes. Ele briga por todas as coisas. Ele diz que te ama a cada segundo. Ele diz que você não sabe dirigir.  Ele te ensina a dirigir. Ele.

Ele é o meu perfeito. Uma mistura na medida do perfeito com o imperfeito. Cheio de qualidades e defeitos. Ele é assim. Essa mistura que te faz ficar completamente apaixonada a cada segundo. Dia. Ano. E quase década.

E hoje é o nosso dia. Valentine's day, sete anos de namoro. Parabéns e obrigada, meu amor. Te amo, hoje e sempre. Endless Love.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Declaração de amor

Hoje venho me declarar. Não, não é por aquela mesma pessoa de sempre que vocês estão pensando. Vim me declarar por aquela que eu tive que fugir durante muitos dias no fim do ano. Por aquela que me deixava mal toda vez que a olhava, mas não podia ter aquele tête a tête tão habitual. Por aquela que eu amo de todas as formas possíveis. Aquela. Sim, ela. A batata.

Não dêem risada de mim. A relação entre nós é muito séria e começou muito cedo. Eu mal sabia andar e minha mãe, quem nos apresentou, já vinha com uma pequena porção dela, toda amassadinha, me levando às primeiras porções de prazer em forma de carboidrato.

Depois fui ficando mais velha e fui conhecendo as outras formas que existiam para que eu pudesse amar também. Sauteé. Assada. Frita. Empanada. Palha. Amassada. Purê. Recheada. Refogada. Todas essas me fazem salivar. E sabe o que é pior (ou melhor)? Não consigo fugir delas.

Quando passei meus dias de tensão sem carboidrato era dureza. Em qualquer lugar que se preze você abre o cardápio e pergunta, já sabendo a resposta: “O que acompanha o filé?” e o garçom responde: “Fritas, mas posso trocar por legumes grelhados.” Legumes grelhados no lugar de fritas? Brincadeira, né? Como continuar no regime se você pode saborear aquelas delícias crocantes e o melhor: comê-las com as mãos. Porque não existe coisa melhor do que comer batatinhas com as mãos.

Gosto muito de um restaurante aqui em São Paulo que serve apenas um prato. O entrecôte fatiado com um molho secreto acompanhado de fritas. Dizem que a grande estrela da casa é o suculento entrecôte e o tal molho que demora 30 horas (literalmente) para ficar pronto. Não vou dizer que não é maravilhoso. É sim. Fantástico. Mas, cá entre nós... A grande estrela da casa são aquelas batatinhas fritas, sequinhas e o melhor: à vontade. São elas que fazem aquele restaurante francês ficar lotado, sete dias por semana.

Desisti de fugir delas. Se eu vou fugir da dieta eu não quero refrigerante, chocolate, pudim, lanches, maionese. Eu quero batatinhas. Aos montes e de todas as formas possíveis. Por isso hoje vim aqui declarar meu amor por vocês, oh batatinhas. Não sumam da minha vida. Vocês podem até me deixar meio gordinha, mas que eu amo vocês... Ah, como amo!

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Em 2010 eu...

Passei muito frio. Muito calor também. Comi demais. Fiquei 40 dias sem carboidrato. Engordei muitos quilos, pra depois tentar emagrecer todos eles. Estudei muito para algumas matérias. Me arrependi. Estudei pouco para outras. Me arrependi. Colei demais e me arrependi de novo. Cheguei a conclusão de que nunca estaria satisfeita com as minhas escolhas na faculdade. Reprovei a mesma matéria pela segunda vez. Depois conseguir passar. Comecei a entender o que é pró-atividade. Percebi que quase ninguém sabe o que é. Amadureci. Tive que me organizar. Dormi em cima da bagunça. Me dei conta de que é muito bom morar sozinha. Nem sempre.

Me aproximei de pessoas que se tornaram essenciais. Me afastei de quem nunca deixou de ser. Percebi que é possível viver e se dar bem com pessoas bem diferentes de nós. Me decepcionei por achar que as pessoas são como queremos ou sonhamos. Entendi que sempre vai ser assim. Completei seis anos de namoro. Descobri que o mesmo amor de sempre é o único. Voei cinco vezes. Todas elas na mesma e segura companhia. Não saí da minha zona de conforto. Senti saudade.

Me estressei. Tive TPM todos os meses. Sofri. Me irritei mais do que deveria. Com quem não queria. Senti angústia, dor e muitas vezes medo. Não desisti. Cozinhei. Aprendi a me virar sozinha. Desejei um carro mais do que nunca. Completei duas maratonas. De cinco quilômetros. Completei uma maratoma. Dei muita risada. Fui dormir depois da meia noite todos os dias. Nem sempre acordei antes das dez.

Torci por uma pessoa mais do que pra mim mesma. Não deu. Fiz duas promessas. Uma já cumpri. A outra preciso de um ano inteiro. Agradeci mais do que pedi. Não adoeci. Nem uma gripezinha sequer. Lutei para ver quem amo feliz. Consegui? Li menos livros do que eu queria. Twittei muito mais do que deveria. Vivi como pretendia?

Decidi mudar. Virei diretora. Tive medo da responsabilidade e a ficha ainda não caiu. Emagreci sete quilos. Usei mais de cinquenta cores de esmalte. Cortei doze dedos do cabelo. Fiz muitas contas. Falei muito mais do que escrevi. Fiz uma tatuagem.

Sorri. Chorei. Vibrei. Torci. Me desesperei. Perdi. Ganhei. Acreditei. Publiquei. Implorei. Deixei. Gastei. Economizei. Juntei... Mas acima de tudo: vivi. Uma vida cheia de altos e baixos, alegrias e tristezas, certezas e dúvidas, união e solidão. Mas fiz de 2010 mais uma página completa e colorida de um livro que está só no começo, quem sabe no prefácio...

Que venha 2011!

sábado, 25 de dezembro de 2010

Ao Senhor Noel

Ei, Noel, cheguei meio tarde esse ano. O senhor quase que já entregou todos os presentes e eu aqui.. Começando a escrever uma cartinha. Estava quase achando que não ia ter que me agüentar esse ano, né? Minhas cartas são longas e quase ninguém tem paciência para lê-las.. Achou que estava livre.. Pois bem, vim tarde, mas vim!

E sabe o que é pior? Fui assim com quase tudo o que fiz em 2010. Entreguei tudo no prazo – ou um dia depois, como hoje. Deixei para falar parabéns às 23h59. Procurei pessoas pra me explicar o exercício que não entendi um minuto antes da prova. Fui meio imediatista. Quis tudo na mesma hora em que pedia, mesmo tendo que me esforçar pra não chegar quinze minutos – ah, só quinze minutinhos! - atrasada em todos os compromissos.

Mas como está tudo por aí, Noel? Não vem me dizer que o senhor também está na correria... O que? Teve que demitir duendes e renas por causa do custo alto de mão-de-obra? Ah, esse ano também saiu caro pro senhor? Como assim, Papai Noel.. Aquela menininha do comercial falou que o senhor só está nessa vida ainda porque quer recolher as Notas Fiscais Paulista.. É sério? Não me desaponte, poxa.. Sempre confiei tanto no senhor!

Sinceramente? Não sei bem o que eu quero pedir. Vim escrever essa cartinha como agradecimento mesmo. Também não sei se fui tão boazinha assim para merecer qualquer coisa que fosse pedir. Sabe, Noel, a vida é dura com a gente, não? E de repente... Já tinha feito coisas erradas e não dava mais pra esconder. Me desculpa? Traz o que o senhor quiser! Um chocolate nesses tempos de regime é dureza, mas hoje eu me permito.

Mas, obrigada, Noel. Por entender minha correria. Minha vontade de sair correndo de Campinas e ficar aqui em São Paulo o dia inteiro assistindo todos os filmes que eu tenho em DVD e que já sei as falas de cor não me deixaram pensar em escrever uma cartinha antes para o senhor. Pronto! Se o senhor quiser pode me dar um DVD novo. Ninguém nunca me deu um. Eu compro sempre. E sempre os mesmos tipos de filme. O senhor sabe quais são. Água com açúcar, de mulherzinha, cor-de-rosa, romacinho barato.. Isso, esses mesmo!

Mas, Santa.. Não vou ficar aqui ocupando seu tempo hoje, no dia de Natal. Chega de entregar de presentes. Vai curtir com a Mamãe Noel, coitada. Deve estar estressada com tanto trabalho que o marido tem. Ah! E fica uma dica: se o senhor ainda vai passar pelo Brasil, troca o modelito. Sabe, Noel, chegou a hora de o senhor comprar uma bermudinha vermelha, fazer um rabinho nesse cabelo e vir descansar em uma praia por aqui. Isso mesmo. Descansar. A gente tá precisando!

E como ouvi dizer por aí: “Have yourself a merry little Christmas, may your heart be light".

domingo, 21 de novembro de 2010

Você quer viver para quê?

Um pôr-do-sol na praia. Cheiro de terra molhada. Piada interna com as amigas. Dor na barriga da gargalhada. Risoto. Aquele abraço. Barulho de chuva. Ver criança aprender a ler. Entregar o projeto. Ouvir o elogio. Pão saído do forno. Tentar só mais uma vez. Qualquer motivo. Basta um. Você quer viver para quê?

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Não seja vítima da mulher-vítima


por Tati Bernardi
Sua gastrite resolveu atacar de novo e não deu tempo de diminuir no cabeleireiro a juba primata que você carrega acima de seu cérebro, que, hoje, só precisa de descanso, silêncio e alguma bobeira na televisão. Isso deveria ser simples para uma mulher entender. Hoje você não tá afim de dirigir até a casa dela, ouvir sobre como ela odeia tal colega de trabalho e falar coisas que ao mesmo tempo soem dóceis, inteligentes e decididas. Você quer dormir sem tomar banho, jantar salgadinho murcho e dormir torto no sofá babado.
Não significa que você tenha dúvidas a respeito do amor que sente. Não quer dizer que você esteja com uma modelo internacional ou com sua vizinha gordinha, em casa, ambos nus, comemorando essa mentira deslavada que você inventou pra poder pular a cerca. Não é porque você não sente saudades ou desistiu de ser galanteador agora que já ganhou a moça. Você, meu amigo sofredor, tem todo o direito de simplesmente não estar a fim de vez em quando e elas definitivamente não têm o direito de transformar isso em um problema.
Mas a mulher-vítima não trata um homem como um parceiro de vida. Um humano normal com vontades, preguiças, indolências e flatulências. Ela trata o homem como um sádico algoz, pronto para maltratá-la, enganá-la e acabar com sua mísera vida, que é assim desde a época em que seu papai não a elogiava como ela queria. E não importa o que você faça, nunca será o suficiente. Não importa que você equilibre qualidades com defeitos, os defeitos vão sempre sobressair. E então, já que você é esse bosta de ser que só mal lhe faz… por que ela não te larga? Porque ela tem o desejo inconsciente de ser maltratada. Ela idealiza o chicote em suas mãos. Ela precisa sofrer e te escolheu pra essa fantasia. Ela adora pensar que você não presta.
A mulher-vítima não entende que você precisa trabalhar. Ela acha que está sendo renegada, preterida, ignorada, humilhada, abusada, explorada, judiada. Ela não entende que você tem amigos, família e, se bobear, até de seu sono ela vai reclamar: como assim você dorme ao invés de me idolatrar 24 horas por dia?
Por que você fez isso comigo justo no dia tal? Por que você ta me falando isso justo hoje que eu tô num dia tal? Por que você não fez tal coisa justo quando eu mais precisava de tal? Por que você fez isso sabendo que eu tenho trauma de tal coisa? Se todo dia é um péssimo dia para errar e se a sua mulher conjuga cobranças com essas estruturas de frase, você está sendo vítima da mulher-vítima.
No começo, você pode até achar que ela age assim tamanha a segurança: se ele não for perfeito, eu berro; afinal, não me faltam homens querendo saciar todas as minhas vontades. Mas não se engane, trata-se do ser mais inseguro do planeta: ele não me ama e eu não suporto isso; portanto, vou querer provas de seu amor a cada 2 segundos e, como isso é impossível, eu vou me sentir uma completa infeliz e, mais uma vez, vou me provar que nasci para sofrer e, porque sou viciada em ser vítima, essa sensação é a minha cheiradinha ou fumadinha ou picadinha ou pilulazinha diária. Seu “moreco” precisa de um médico, e não de um homem.
Repita comigo: você não tem de salvar uma mulher. Amar não significa virar pai ou médico ou benzedeiro de uma criatura. Você não tem de dizer a coisa certa na hora certa no dia certo com o sol refletindo em seus penetrantes olhos de super-homem. Você não tem de ter lido os livros e visto os filmes e baixado as músicas que ela planejou para não se sentir vítima, mais uma vez, do homem imperfeito. Você não precisa fazê-la gozar loucamente todas as vezes (mas quase todas é bom, isso é verdade). Vamos combinar que ela também não é perfeita (pra começar, ela é bem doida!) e, então, não tá com essa bola toda pra cobrar tanto assim. Vocês vão crescer juntos, com calma e paciência e respeito e equilíbrio, ou ela vai continuar esperando que você venha do céu para resgatá-la do inferno de seu cerebelo inquisidor (este sim o verdadeiro algoz).
Dê o amor que pode do jeito que der e, se ainda assim a vida dela continuar um mar de infortúnios, saiba que seu barquinho não tem nada pra fazer a não ser se arrancar antes de afundar nesse lodo de lágrimas de sangue. Talvez sem nenhum amor ela aprenda a dar valor para o amor possível.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

What is the Church?



Basta ter um propósito, uma missão e um plano, todos eles ligados a Deus. Isso é a igreja. O resto serve apenas de atrativo para que o mundo torne-se cheio de pessoas glorificadas. Assistam. Vale a pena!

domingo, 10 de outubro de 2010

Amor engorda

Isso mesmo. Amor engorda. Amar engorda. No início, paixão emagrece. Um toque do celular, uma mensagem de texto, um e-mail, um olhar. Qualquer coisa é motivo para o coração disparar e isso vale mais do que correr 10 km. Sem contar que o apetite do apaixonado pode ser saciado por coisas que não engordam. Beijos intermináveis, pele com pele, mão esbarrando na mão. O sono diminui, a adrenalina corre como louca, olhos brilhando. Cada suspiro consome 15 calorias.


E de repente, o mal-me-quer, bem-me-quer vira bem-me-quer, bem-me-quer. Os dias passam em câmera lenta se não estão juntos. Não há mais necessidade de dormir, comer, falar. Os dias se ajeitam na espera do encontro. Ou de uma ligação.

Até o dia que a paixão vira amor. Tudo é motivo para celebração. E celebração lembra... Comer! Conquistaram o coração um do outro e não é todo dia que isso acontece. É café na cama, almoço, ceia, viagens de férias banhadas a comidas típicas, bebidas maravilhosas, sobremesas de dar água na boca. Tudo em busca de novidades para o amor. E a novidade já não é o outro, mas tudo o que se faz junto, tudo o que se gosta, tudo o que se ama. E pode haver algo mais adorável, excitante e gratificante do que descobrir que se gosta da mesma comida?

O amor chama o amor de gordinho, gordinha, docinho. Dá chocolates caros de presente. Compra vinhos, queijos, quiches e risotos. E assim o amor engorda.

Todos perguntam o que é o amor. Como sabem que estão amando. Como funciona. Essas respostas eu não sei. Mas que engorda, engorda.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Minha grande amiga TPM

Primeiro dia. Simplesmente abri o olho pela manhã e sabia que ela estaria ali, junto comigo pelo resto da semana. Quase arrisquei um bom dia, mas sua cara era tão feia, que achei melhor não. Ela me diria "Bom dia pra quem? Só se for pra você!", aí achei melhor deixar como estava. Falei pra ela que não precisava ficar no pé, que eu estava cansada, que precisava de férias, que queria um feriadinho no meio da semana e ela quase arranjou briga comigo. Achei melhor não discutir mais uma vez.

Saí de casa e ela estava ao meu lado. Me empurrando. Me dando dor de cabeça. Querendo que eu desse atenção pra ela, mas eu não queria. Sai daqui, me deixa em paz. Vou ficar irritada com você e ela não se abalou. Falou pra mim que iria começar a chorar se eu não desse bola e eu falei que podia chorar, sem problemas. Não vou consolar ninguém.

Tentei por horas não olhar pra cara dela, ignorei o quanto pude, mas quando eu menos esperava.. Ela me pegou pela mão e eu já estava sentido o que ela sentia. O calor que faz nessa cidade começou a me irritar mais do que de costume e eu espraguejei baixinho meu país, falei que eu queria morar em um lugar aonde no verão faz 15 graus e todo mundo está feliz e agasalhado. Dei um passo e tropecei na calçada, quase caí de cara e ela me segurou. Fui atravessar a rua e um carro preto passou colado na minha barriga, tudo porque estava distraída com ela tentando me mostrar suas várias caras. Fui conversar sobre mim com uma quase desconhecida e ouvi coisas que não esperava ouvir. Mas ela estava ali, ao meu lado, segurando minha mão. O que fez meus olhos se encherem de lágrimas na frente de alguém que eu não queria que me visse chorando. Eu não sou fraca. Eu não sou tímida assim. Eu sou forte. Eu falo o que eu quero sempre. Eu sempre me ferro por isso. Mas porque dessa vez não consigo mostrar quem eu sou, de verdade? Porque tive que ouvir julgamentos que não cabem a mim? Ok, eu confesso, eu sou desorganizada. Deixo para a última hora, de verdade. Mas eu vesti a camisa, poxa! Eu pensei em dar muito mais de mim do que eu normalmente daria. Mas aí recebi um balde de água fria.

Tudo culpa dela. Ela me fez ficar assim por uma coisa que nunca me abalaria. Eu só estou chorando por um motivo babaca, porque ela estava do meu lado, segurando minha mão e me passando seus sentimentos que mais parecem uma montanha-russa. Não quero sentir o que você sente, TPM, vai embora, sai daqui. Não ligo se você ficar chateada. E espero que você nunca mais volte mesmo. É, nunca mais. Você me deixa mal, me deixa brava, faz brigar com meus amigos, namorado e família, me faz chorar na frente de pessoas que não deveriam estar escutando meus problemas. Poxa, você pode por um mês, se quer, me dar sossego? Deixar eu seguir minha vida como os outros 21 dias do mês eu segui. Por favor?

Aí ela fica brava. Vermelha de raiva comigo. Fala que nunca mais vai voltar e que me odeia com a voz embargada das lágrimas na garganta. Fecha a porta e eu dou um sorriso. E como o verão que de repente some, mas a gente sabe que um dia vai voltar.. Daqui a pouco ela abre a porta, entra devagarinho, deita comigo na minha cama, pega na minha mão e.. Ah não, TPM, de novo, não!!

terça-feira, 10 de agosto de 2010

O meu perfeito

É tudo culpa sua. Eu não consigo mais. Não tem mais ninguém, não terá mais ninguém. Eu fecho os olhos e a única coisa que me vem na cabeça é você. Aquela sua imagem de homem perfeito. Te deixo por uma hora sozinho em casa e quando volto, nada está como eu tinha deixado. Minha bagunça tão corriqueira sumiu e você fez tudo por mim. Fritou os bifes, lavou as panelas, cortou a grama do jardim.

Porque você faz isso comigo? Você me fez ser dessas que gostam de homens que preparam coisas. Que amassam frutas para fazer caipirinhas, usam a furadeira para prender armário no banheiro, instalam computadores, consertam celulares, assam uns pãezinhos, tudo com o mesmo appeal.

Seria estranho se eu não tivesse caída aos seus pés de amor. Não só pelos bifes, panelas e pãezinhos. Não tem como não ficar assim. Tenho medo de dizer que você é o homem perfeito. Eu não quero que mais ninguém feche os olhos e veja você, fazendo tudo, sendo tudo. A dona das suas imagens sou eu, poxa. Só eu posso fechar os olhos e lembrar de você fazendo tudo isso por mim.

Ei, perfeitinho. Obrigada por esses seis-anos-e-meio de você na minha vida. Te amo. Daqui pra mais uns... Cem anos?

sábado, 24 de julho de 2010

Número um

Querer estar e não poder. Querer falar sem pensar. Querer abraçar sem ter fim. Querer ficar até o dia acabar. Querer sorrir sem medir. Querer estar sem cobrar. Querer ser sem pedir. Querer brigar e temer. Querer distanciar e aproximar. Querer amar. Querer trocar de lugar. Ligar, bipar, chegar, sair, comprar. Querer viver uma amizade assim. Cheia de verbos. Cheia de vida. De confiança, de verdade.

Eu queria viver uma amizade assim. Um amor fraternal, que chega a não se importar se vai ser recíproco e, de repente, quem eu menos esperava tornou-se a mais importante. Da ausência na agenda ao número mais discado. Da inexistência à onipresença. Do número cem ao um. Do desconhecido ao amor. Sem esforço, como se já fizesse parte do curso natural da vida.

Ela me conquistou e será que tem alguém que ela não conquista? Sua voz doce e seu coração enorme entraram na minha vida, na da minha irmã, mãe e até priminha. Entraram no meu coração, colocou-a em minhas orações e me ensinou o que devia fazer para viver uma amizade assim. Amizade que não quer competir, não trai, não mente e não é falsa. Amizade que resiste e se fortalece estando perto ou longe e não muda por nenhuma situação, por aquilo que um fez ou o outro deixou de fazer. Amizade que é presente de Deus, mesma luz, mesma paz, mesma canção.

Seu verbo é poder. Poder ajudar. Poder fazer o que estiver ao seu alcance. Poder falar o que me faz bem. Poder ser quem é. Poder olhar igual para todos. Poder ser boa. Poder ser linda. Poder fazer. Poder, não o verbo. E a palavra de hoje é parabéns. Pelo dia, pelos anos, pela voz, coração, palavras, atitudes e, principalmente, pela pessoa - por mais clichê que possa parecer - maravilhosa que você é. Que hoje toda a atenção, todos os olhos, bençãos e amor estejam contigo, One. Esse númerozinho aí vai ser sempre seu na minha vida.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Aonde estão meus parágrafos?

Vontade de escrever. Apaguei cem linhas achando que não estava bom. E vou tentar de novo. Quando sair volto aqui para dizer que tenho saudade da época em que os parágrafos saíam instantaneamente. Sem pestanejar. Sem medo.

Quero escrever mais cem linhas que me deixem arrepiada. Que me façam ter vontade de ler e reler. Que me façam sentir bem, mesmo sabendo que ninguém ou quase ninguém lê meu blog. Não me importo. A satisfação de ler cem linhas, cem parágrafos ou cem palavras e me sentir como me sinto, quando, finalmente acontece, não tem igual.

sábado, 3 de julho de 2010

O sonho acabou


Como assim? De repente eu olhei pro relógio e faltavam oito minutos e mais dois gols. Percebi que não iria acontecer. Que o sonho estava prestes a acabar.. Como assim, Dunga?

Eu acreditei em você. Quando todo mundo falava mal, dizia isso e aquilo, eu sempre acreditei. Pensava que no dia 11 de julho, quando o Brasil virasse hexacampeão mundial, você seria aquele típico exemplo de teimoso que deu certo, sabe? Eu acreditei em toda aquela sua história de comprometimento. Acreditei que podíamos ganhar, mesmo com um time sem grandes craques e cheio de falhas. Acreditei no Kaká, acreditei no Robinho, Luis Fabiano. E você, Julio César? Acreditei em você também. O melhor goleiro do mundo e agora estamos todos nós, 190 milhões de brasileiros, tristes, desapontados, por um erro seu. Erro que não podia acontecer naquela altura do campeonato.

Não, não quero culpar alguém por isso. Até por que quando se trata de TIME não tem em quem jogar a culpa. Ela pode ser de cada um. Dunga, por não ter um reserva que jogasse como o Kaká, caso ele não estivesse espetacular, como sempre. Ou, talvez, por nunca trocar os jogadores na hora certa. Ou, quem sabe, por acreditar demais em um time que ele sonhou que seria perfeito. Julio César, pelo seu ego e sua vontade de querer agarrar todas, porque não enxergou o Felipe Melo bem na sua frente? Kaká, quem era você no último jogo? Esperei por um gol seu como uma criança espera por um doce e ele não veio! E, você, Felipe Melo? Que vontade é essa de ser protagonista, meu bem? Mas culpa mesmo, não tem como jogar nas mãos de um só.

Triste, sim, estou. Desapontada, desacreditada e não achei que fosse me sentir assim se isso acontecesse. Mas ontem, senti um aperto no coração tão forte quando o jogo acabou, que tive que enxugar as lágrimas dos meus olhos.

Agora é esperar por 2014. Ver o jogo ao vivo, esperar pelo futebol-arte brasileiro acontecer novamente. Ganso, Neymar, Nilmar, Kaká e Robinho.. Nossa seleção pode ser cheia de craques e fazer acontecer. Não vejo a hora de chegar mais uma vez.